Resenha do livro: 1984

Resenha do livro: 1984

Definitivamente, este é um dos livros que eu menos tive prazer em ler. Não só eu mas outras pessoas que conheço também não gostaram ou tiveram dificuldades em manter o foco na leitura.

Bom, apesar de ser um clássico da literatura mundial, acredito que muitos outros clássicos são deixados de lado pela atual juventude por ter uma incompatibilidade cronológica em certas temáticas, que muitas vezes, são vistas como ultrapassadas. Isso porque em 1984  o autor alertava a sociedade da época (1949 quando o livro foi publicado) para o perigo de poderes totalitários, cerceamentos da liberdade de expressão, paranóia política e fanatismo ao redor do mundo principalmente Após eventos como o Nazi/facismo que destruiu boa parte da Europa. Um tema que era um prato cheio na época, mas que hoje não parece fazer muito sentido. Mas o pior é que faz sim.

Em síntese, a trama se passa no ano de 1984 e é narrada pelo personagem Winston Smith, que é um trabalhador cuja função era fazer propaganda do regime totalitário através do adultério de dados oficiais em favorecimento do governo do Big Brother (Grande Irmão). Além de falsificar notícias e palavras do dicionário da língua oficial que se chamava Novilíngua. O sistema pelo qual Smith era obrigado a trabalhar todos os dias começou a provocar um sentimento de revolta pelo fato de que todas as pessoas o tempo todo era sempre a mesma coisa. As pessoas não pensavam nem podiam ter opinião própria sobre nada. Vidas sem perspectivas, uma sociedade movida a medo, perseguição e ao alcoolismo (foi uma das táticas que o sistema encontrou de manter a população sob controle) foi alimentando em Smith a sede de revolução contra o sistema.

No entanto, uma coisa que me incomodou bastante nesta narrativa não é o fato em si de uma possível profecia de Orwell em tentar “alertar” a sociedade sobre um possível alienamento oferecido pela TV. Sim, ele acreditava que uma das formas de controlar a sociedade na década de 80 seria através da televisão (descrita na obra como teletela). Mas o que me fez largar a leitura no primeiro capítulo foi o modo como a narrativa foi conduzida. Achei o texto exageradamente arrastado, pesado, analítico e crítico demais. No entanto acho a proposta válida pela discussão, sim acredito que 1984 seja uma obra que possa provocar reflexões sobre temas como regimes ditatoriais, a ênfase que damos demasiadamente a certos instrumentos que nos alienam (para ele a TV, nos dias de hoje nem preciso citar o que nos aliena não é?). No entanto sou uma pessoa que julga um livro pela sua forma de “conversar” com o leitor. Uma história que me cansa não serve para mim. Quando eu lia uma página tinha a impressão de que estava lendo um capítulo inteiro. Mas acredito eu que esse seja um mal da literatura clássica. A linguagem utilizada há mais de vinte anos atrás não é a mesma que utilizamos atualmente. As perspectivas, visão de mundo é a informação são completamente distintas da atualidade. Essa é uma dificuldade a ser enfrentada por mim e por mais gente.

Não é a minha intenção desqualificar a obra de George Orwell, porque nem poderia e nem ousaria, mas sim criticar um ponto pelo qual eu me vi em dificuldade para prosseguir na leitura. Espero que pensem e reflitam sobre este livro e que possamos fazer aqui (nos comentários) um debate construtivo.

Dados sobre a obra
• Autor: Eric Arthur Blair (pseudônimo de George Orwell)
• Escrito em: 1948
• Publicado em: 1949
• Gênero: distopia, drama, política, ficção e Ciências sociais.

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