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O que um livro pode ensinar

Talvez esta seja uma boa questão que mereça ser discutida: o que um (bom) livro pode nos ensinar? Nem sempre fui apaixonada por livros, pasmem, mas foi durante uma leitura do livro “A comédia da vida privada” de Luis Fernando Verissimo que minha concepção mudou. Um livro bastante ousado para uma garota de 12 anos? Talvez, mas graças a este escritor eu comecei a tomar gosto pela leitura e a cobiçar livros como presentes de aniversário e bem de consumo.

Acredito que eu até tenha me tornado uma pessoa chata, já que não vejo com bons olhos pessoas que dizem não gostar de ler. Como assim? Me pergunto indignada e tentando convence-la do contrário de sua total ignorância. Mas se tem uma coisa que os livros ainda não me ensinaram, nem mesmo aqueles de auto ajuda, foi a ter paciência com meu semelhante. Daí a resposta para a pergunta do início do texto. Existem muitas coisas das quais os livros não conseguem nos ensinar, uma delas é experiência (no meu caso paciência). Nos livros eu busco um referencial, na vida o aprendizado. Imaginem, você pode conhecer o mundo através de guias de viagens, mas jamais saberá qual a real cor do manto que Mona Lisa usa no famoso quadro de Leonardo da Vinci. Isso porque vivenciar e tirar as suas próprias conclusões, mesmo que você em algum momento tenha que descordar dos livros, vale mais do que muita leitura a respeito do assunto.

Ler faz bem a mente e enriquece a alma, mas formar sua opinião baseando-se apenas em livros é um pouco perigoso na minha opinião. Nada contra os historiadores, paleontólogos e arqueólogos, mas todos os dias descobrimos que muito do que aprendemos nos livros não parece ser tão verídico assim. Os escritores se baseiam em fatos para redigir suas teses, os fatos são registros de pessoas que perceberam uma parte da verdade ou mesmo fantasiam a realidade, com isso, cria-se uma cadeia de informação que pode ou não ser real, e com isso, formar opiniões equivocadas sobre determinados assuntos. Certa vez alguém me disse que, os livros de história, desses que estudamos nas escolas, não deveriam ser entendidos mas sim contestados pelos alunos. Acredito que a informação e a leitura cabe a todos, mas deveríamos também desenvolver o senso crítico e não aceitar tudo o que nos é jogado em páginas de livros ou jornais.

Vamos pensar melhor em como os livros podem ajudar as pessoas a se tornarem seres mais autônomos, pensantes e questionadores. Vamos ler, mas vamos também investigar e ter a curiosidade de viver aquele momento em que nos é contado tantas e tantas vezes para saber o que realmente podemos aprender com os livros.

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