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Quando decidi ficar em casa

Fazer escolhas por si só é algo complicado, ter de abrir mão de certas oportunidades ou desejos para correr atrás de outros ou apenas escolher o melhor para você mesmo sendo o que não deseja para o momento. É este tipo de situação que nos faz crescer e tornarmos adultos, as escolhas. Quando falei aqui no blog sobre as angústias e anseios de pessoas que decidiram morar fora e longe de casa, os desafios, tarefas, prazeres e alegrias. No entanto, existe o outro lado da moeda, o lado daquelas pessoas que optaram em permanecer na casa de seus pais por mais algum tempo ou simplesmente definitivo. Ficar no nosso ninho original muitas vezes transparece ser um comodismo para quem vê a situação de fora. Mas vamos ignorar a opinião alheia e focar na questão principal desta discussão que é a opção de continuar morando com a família.

Cada ser humano é um tipo diferente, ninguém é igual a ninguém, isso todo mundo já ouviu falar algum dia – e se não ouvir se prepare – e sabe bem o que são essas diferenças. Algumas pessoas nascem com o espírito livre, gostam de desafios e não curtem muito a vida pacata. Este perfil de ser humano costuma ser muito proativo, viajar bastante, ter amigos espalhados mundo a fora e sai cedo da casa dos pais. Já outros indivíduos são mais pacatos, preferem a tranquilidade e estabilidade, procuram pensar cada passo e demoram sair do ninho de criação, mas saem mesmo que seja meio “tarde”. Enquanto outros, não sei se por apego ou sentimento de insegurança (fica difícil especificar aqui as reais motivações deste indivíduo) optam simplesmente em viver ao lado dos pais. Eles possuem empregos fixos, tem vida social, viajam, mas não querem abandonar o lar de seus criadores. Este perfil de pessoa costuma investir bastante no lar, ajuda com a casa, compras e investe pesado em decoração do seu quarto, uma particularidade marcante destas pessoas, já que o lar e o aconchego de sua residência é algo de extrema importância para quem decidiu ficar.

No meu caso eu optei em permanecer na casa de meus pais até que eu consiga me sustentar completamente só. A vida nunca foi fácil em nenhuma época, cada qual com suas dificuldades e especificidades, mas garanto que planejar a saída de casa, mudar e administrar uma casa não seja uma tarefa pra qualquer um. Estar preparado, acredito que nunca estaremos, pois só vivendo na rotina e sob a pressão de você ser o senhor ou senhora de suas coisas é que aprenderemos a ter essa tal responsabilidade que os pais tanto tentam nos ensinar. Desde sempre, entenda-se desde quando me entendo por gente, meus pais me ensinaram de tudo, a arrumar uma cama, varrer, passar pano, cozinhar, cuidar de plantas – esse talvez eu não tenha aprendido muito bem – e outras coisas mais.

O que posso dizer para acrescentar neste momento de quem optou em permanecer na casa dos pais até o momento em que conseguir definitivamente sair ou para aqueles que pretendem ficar permanentemente é o mesmo: tornar a sua estadia ou permanência o mais agradável possível, ter uma rotina (pois não é porque está na casa de seus pais que eles têm a obrigação de alerta-lo de tudo o que se passa em sua vida e de seus compromissos), propor-se a pagar alguma conta fixa ou se responsabilizar por alguma doméstica como açougue, luz, internet; este tipo de responsabilidade nos ajuda a ter mais ou menos uma noção de como será quando sairmos de casa e evita aquele choque instantâneo que tomamos quando isso ocorrer, e outra coisa muito, mas muito importante é que com este tipo de responsabilidade aprendemos na marra como funciona esse esquema chamado inflação, por que a comida acabou e ninguém comprou mais, e o melhor de todos é que aprendemos o valor de cada coisa.

Já contei aqui no blog por duas vezes minhas experiências em farmácia, o custo de um remédio genérico e os de marca. Sim, esse tipo de coisa também fará parte de todos nós um dia, mas não exclusivamente de quem decidir sair da casa dos pais, mas sim de todos que um dia tiverem que ganhar o próprio salário e administra-lo para durar um mês, e vou avisando, ele não dura um mês tá? É como eu disse no início deste post: são os pequenos detalhes e decisões que nos vemos obrigados a crescer, pois abrimos mão de muitas coisas para alcançar outras, aprendemos que esperar é preciso para que possamos conquistar aquilo de queremos e aprendemos acima de tudo que, as coisas sairão de nosso controle, e desesperar não é uma opção, mas sim manter-se focada e no controle é uma obrigação!

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