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Uma semana sem carboidratos

Em minha última consulta com a endócrino descobri que ganhei 2Kg nessa comilança de final de ano, e mesmo um mês após este evento eu não havia perdido os ditos cujos. Tudo bem até ai. Mas o que mais me incomodava não eram apenas os dois quilos a mais e sim o fato do meu corpo ter se acostumado com a dieta antiga, aquela primeira de reeducação alimentar que fiz há um ano atrás. Mesmo a médica me explicando que isso era normal, e bla bla bla, pedi que ela me receitasse uma dieta que me ajudasse na perca desses malditos quilos extras e que ao mesmo tempo desse um tranco em meu organismo e o tirasse na inércia na queima de gorduras.

Ela me passou uma dieta meio radical, que consiste em cortar 90% dos carboidratos da alimentação. Digo 90% porque é humanamente impossível correr totalmente este item de nossa alimentação, isso porque tudo o que ingerimos se torna açúcar em nosso organismo, além de que todo alimento que consumimos, principalmente as frutas, possuem carboidratos. Já vou logo dizendo que no inicio nada é fácil, por isso vou listar meu dia a dia com a dieta no período de uma semana para vocês terem uma noção de como reagi ao tratamento.

22/02 (dia 1) – O primeiro dia de dieta já começa bem agitado. Além de ter de resolver problemas pessoais tirei o dia para sair com a família e resolver os dos outros. Nada de mais, mas quando eu entro numa rotina alimentícia diferente, apenas penso em dormir para não cair na tentação de fura-la. E foi assim meu primeiro dia, resistindo a tudo e a todos, pensando em desistir e me sentindo muito mal por comer tão pouco. Sobrevivi ao primeiro dia com uma mesa de café da tarde lotada de pães de queijo feitos e assados na hora e a uma noite de pasteis fritos. Sim, foi isso mesmo que aconteceu aqui em casa.

23/02 (Dia 2) – Este foi o dia mais complicado de todos. A falta de carboidrato em peso no meu organismo já me deu aquele soco na cara, era de se esperar, pois já são 48h em regime de restrição. Mesmo consumindo frutas (permitidas pela dieta) não foram suficientes. Agora sei bem o que um dependente químico sente quando está em abstinência. E não, não é exagero. O açúcar é tão viciante e nocivo ao nosso organismo quanto a cocaína. Já existem estudos que comprovam isso. Em suma: sigo sobrevivendo à abstinência!

24/02 (Dia 3) – Este foi o começo de um dos piores dias da dieta, pois o meu corpo sentiu o baque da falta do carboidrato em sua quantidade da qual estava acostumada a consumir. Foi neste dia que consegui entender o que a endocrinologista me disse sobre fraqueza e falta de energia para realizar as atividades físicas. Passei maior parte do dia deitada ou poupando essa tal energia. Sei que não é o certo a se fazer, mas o ânimo para as coisas simplesmente sumiu. Sentia uma leve recarga nas baterias após as refeições, mas esse estado logo se passava pois o organismo está sedente por calorias, das quais eu não vou ingerir!

25/02 (Dia 4) -Este talvez tenha sido o dia mais “de boas”que passei desde o início do processo. A vontade de atacar doces já nem me persegue mais. A verdade é que só penso em boicotar a dieta mesmo nos períodos críticos pré refeições, que é quando o estômago está clamando por comida e você sente aquela bombeira no corpo e fraqueza de energia. Mas depois de me alimentar essa sensação ruim também passa e eu volto ao normal.

25/02 (Dia 5) – E foi aqui que encerrei minha saga com a semana sem carboidratos. Eu sei que deveria ter ficado até domingo sem, mas acreditem, me esforcei pra chegar até o fim, só que a finalidade era ser uma dieta radical e ela cumpriu seu papel a tal ponto em que eu não pude mais segui-la. Seguirei com as instruções médicas e farei essa restrição a cada um dia da semana. Com ela aprendi que não preciso consumir tantos carboidratos para me sentir saciada, pelo contrário, vou selecionar o que desejo comer e assim variar ainda mais meu cardápio.

28/02 (Resumo da semana) – A endocrinologista havia me alertado para a falta de energia que eu teria ao realizar minha caminhada diária, mas que eu poderia ficar tranquila, que se me alimentar corretamente e na hora certa, nada de errado acontecerá. Além de uma semana sem carboidratos, a dieta consiste em a cada um dia da semana eu repetir este processo de eliminação do nutriente de meu organismo. Além do detox (se é assim que se pode chamar isso) meu corpo agradecerá por eu ajuda-lo a queimar a gordura extra e assim conseguir chegar ao meu peso ideal e de segurança.

Admiro muito essas pessoas que se privam totalmente de carboidratos, proteínas, gorduras ou seja lá qual for a dieta radical que elas sigam. Se tem uma coisa que pude aprender com tudo isso é que realmente cada organismo funciona de maneiras distintas. Na minha concepção não podemos privar totalmente nosso organismo de certas coisas, por mais que digam que o sal, açúcar, gordura ou qualquer outra coisa faça mal, o corpo precisa de uma quantidade X para se manter ativo e vivo. Se essas coisas não fossem necessárias elas não existiriam para o nosso consumo e muito menos sentiríamos necessidade delas. O problema está justamente nas quantidades, se soubéssemos consumir apenas o necessário, nada precisaria ser considerado como o vilão da saúde. O excesso é o maior perigo que a nossa saúde pode ter. Vamos equilibrar as coisas e viver mais felizes minha gente!

Jornalista, mineira de Belo Horizonte, 30 anos e apaixonada por cinema, livros, música e fotografia. Não sou de muita conversa, pois prefiro me expressar através de textos. Nascida na era da internet, blogo desde 2008. Para saber mais sobre minha história clique em Autora.

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