Vamos falar de literatura?

Vamos falar de literatura?

De repente este assunto ficou meio constante aqui no blog, literatura, de uma forma que se tornou o tópico com mais tags e categorias relacionadas. Estou vivendo uma daquelas fases denotação de vícios. Começou com uma súbita necessidade de reler e ler clássicos literários internacionais, ai sai comprando alguns exemplares. Depois foi o movimento inverso, passei a procurar insanamente por literatura nacional e agora estou numa fase viciante de poesia. Revirei a estante de livros da mamãe e fiz um furto qualificado de duas belas obras de duas escritoras com estilos distintos: Sylvia Plath e Florbela Espanca, ambos os livros das autoras com uma coletâneas bem selecionada de suas obras (em breve resenhadas aqui no blog).

Mas não parou por ai. Senti uma necessidade imensa de pesquisar por autores da nova geração de poetas. Sim, ando sentindo muita falta de saber o que a nova safra de escritores anda produzindo e ao mesmo tempo que preciso renovar minhas referências literárias, pois os clássicos servem como uma base, mas e quanto a nova geração? Quem são? O que fazem? Como escrevem? Qual a qualidade? Estas foram algumas das perguntas que me fiz e que tentarei me responder ao longo do tempo.

Maratona de debates sobre literatura no CCBB BH

Aproveitando o embalo desta nova fase literária que estou vivendo, corri e me inscrevi para uma rodada de palestras cuja finalidade é exatamente trazer para o público os novos nomes da literatura nacional com suas obras. No site do Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB de BH) me inscrevi para este ciclo de palestras, que está acontecendo desde o meio do ano, e garantir meu lugar nestes debates. Na última semana aproveitando o feriado de 12/10 aconteceu o debate com a participação do no escritor Julián Fuks, que falou durante algum tempo sobre o gênero literário romance, suas variações e controvérsias literárias.

A oficina literária e o bate-papo foram incríveis. O bom deste tipo de debate é que, além de podermos interagir com pessoas da plateia com opiniões e visões distintas de um mesmo tema, acabamos enriquecendo ainda mais nossa visão e conhecimento de um determinado assunto. Essa troca se tornou a experiência mais sensacional que vivi neste ano.

Desconstrução do óbvio, obsessões, manias, auto crítica e perfeccionismo foram alguns dos temas abordados durante a primeira rodada da oficina. Julián ainda conseguiu me dar um alento sobre a questão da definição dos gêneros literários, mas em especial sobre a definição do que é romance. Como ele mesmo falou “quem define o tamanho de um romance? Quantas páginas ou palavras são necessárias para defini-lo?” e assim tirou um peso de minhas costas e ainda confirmou o que eu já havia desconfiado desde o início: não devemos gastar nossas energias colocando a escrita em determinadas caixinhas. Isso é poesia, isso é poema lírico, aquilo é romance, aquilo lá é novela e não presta. Vamos parar com este comportamento arcaico e dedicar nossas energias ao que realmente importa: fazer fluir nossas ideias e sentimentos através da escrita.

Após o evento, sai de lá com a sensação de que estou no caminho certo, obedecendo aos meus dogmas, e não éticas e morais de uma academia seletiva que acolhe apenas pessoas com um tipo de pensamento conservador em um único ambiente. Que fique claro, eu não sou contra os pertencentes e os formadores da Academia Brasileira de Letras, mas só acho que nos tempos de hoje não cabem mais esse tipo de limitação, ainda mais se tratando da escrita, que é algo disruptivo por si só.

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