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O Iluminado

Resenha – O Iluminado

Antes de começar a resenha propriamente dita, gostaria de esclarecer que O Iluminado foi meu primeiro contato com Stephen King. Pesquisei muitas referências de leitores que amam as obras do autor em busca de indicações. Indicações estas que me dissessem qual seria a obra certa para uma primeira leitura. Mas não cheguei a nenhum consenso e decidi por conta própria que O Iluminado seria este primeiro contato. Foi a escolha mais acertada que fiz no escuro. Sem querer fazer trocadilhos!

Nesta resenha irei abordar aqui um ponto de vista contrário ao do senso comum, em que muitos intitulam a obra como o clássico do terror. Na minha opinião este livro está mais para um suspense dramático do que terror propriamente dito. Isto porque num geral, as pessoas compraram a ideia, do autor, de que o Hotel Overlook é um local maligno. Para mim isto não é verdade.

Durante os 39 capítulos do livro me levaram a crer que tenho a convicção de que o hotel na verdade não é responsável pelos acontecimentos “inexplicáveis”. Mas sim um palco onde tudo acontece. Delírios, premunições, visões e todos os tipos de acontecimentos “paranormais” que ocorrem entre a família Torrance pode ser facilmente explicado como um surto coletivo de psicose. Ou mesmo como fora descrito no filme homônimo de que os personagens sofriam da síndrome da Cabana. Basta levarmos em consideração apenas três pontos:

  • Confinamento total
  • Isolamento
  • Excesso de tempo livre e ociosidade

Pronto, temos ai um cenário perfeito para que se instale a insanidade e o caos. Estes são alguns dos elementos que contribuem com os surtos esquizofrênicos dos personagens. Danny vendo e ouvindo coisas,  Wendy com suas manias de perseguições e teorias conspirarias contra Jack. Ah e Jack, o que dizer sobre um ex alcoólatra em abstinência que também vê e ouve coisas? O filho teria mesmo a quem puxar. Folie a duex (neste caso a troi).

O poder do O Iluminado

Danny Torrance e Dick Halloran podem se comunicar e ouvir pensamentos das pessoas, também posso explicar de uma forma simples. Frequência de ondas eletromagnéticas.Ondas estas cujos aparelhos como micro ondas, celulares e rádios possuem para funcionar ou comunicar. Tudo o que possui uma massa neste universo erradia um tipo de radiação em uma determinada freqüência. – Não estou inventando isto, apenas leio muito sobre a mecânica quântica e recomendo à todos que façam o mesmo. Com isto disparamos energias no simples ato de respirar ou piscar os olhos.

Com nosso cérebro não é muito diferente, pois produz energia o tempo todo. Então, neste caso, os iluminados nada mais são do que indivíduos capazes de comunicar-sem em frequências distintas dos demais seres humanos. Tornando-os pessoas especiais, ou como Stephen King dizia, iluminados. Não há nada sobrenatural, mas sim uma capacidade física mais desenvolvida.

Por fim, aceitar a versão comercial de que o hotel Overlook é cheio de fantasmas que exercem influência sobre ele é cair no senso comum. Sem sombra de dúvidas O Iluminado é uma obra prima de suspense e drama, mas não de terror. Me desculpem. Apesar de ter uma escrita envolvente e viciante, King não conseguiu me envolver nesta atmosfera de medo. Pelo contaráio, me senti a maior parte da história agoniada pelos três no meio do gelo e confinados. Pena e raiva também senti muitas vezes, mas medo não.

Observações sobre O Iluminado

Antes de ler este livro não busquei nenhum resumo do enredo. Muito menos vi o filme. Em apenas duas semanas devorei a história. Confesso que não esperava por isto, já que ele não é um autor famoso por ser sucinto. Mas a história me prendeu de uma forma que eu queria saber o mais rápido o que aconteceria com aqueles três maluquinhos.

1- Algo que me incomodou na reta final da leitura foi o sentimento de que os capimulos “Wendy e Jack”(52) e “Halloran derrubado” (53) foram subitamente invertidos de última hora. A cronologia linear foi quebrada, fazendo com que a sequência entre os acontecimentos ficassem confusos. Não sei se esta foi uma falha do editor de Stephen King ou um erro da Suma Editora.

2- Houveram alguns erros recorrentes de revisão ortográfica. Frases com pronomes no singular e sujeito no plural. Isto me incomodou algumas vezes e espero que a editora mude isto para as reedições futuras da obra.

3- É a primeira vez que leio um livro sem índice. Gosto de ter esta referência para facilitar posteriormente em minhas pesquisas e resenhas. Achei que a editora novamente cometeu um erro ao economizar em páginas de guarda e do índice. Assim que o livro acaba, já vem a segunda capa. Ainda bem que sou uma pessoa extremamente cuidadosa com meus livros. Vamos dar uma olhada nestas falhas Editora Suma e dar uma melhorada. Stephen King merece!

Jornalista, mineira de Belo Horizonte, 31 anos e apaixonada por cinema, livros, música e fotografia. Não sou de muita conversa, pois prefiro me expressar através de textos. Nascida na era da internet, blogo desde 2008. Para saber mais sobre minha história clique em Autora.

1 Comment

  1. Joao

    fevereiro 24, 2018 at 2:59 am

    Em primeiro lugar, a “síndrome da cabana” foi um argumento utilizado pelo Stuart (o gerente do Overlook) para explicar a tragédia que havia ocorrido com a última família que ficara durante o inverno para cuidar do hotel. Além disso, fica muito claro que os capítulos “Wendy e Jack”(52) e “Halloran derrubado” (53) estão propositalmente naquela ordem e não há nada de estranho nela – já que são capítulos que descrevem acontecimentos simultâneos e não seria prático botá-los no mesmo capítulo.
    E, para finalizar, trata-se sim de uma história de terror. O hotel Overlook é, de fato, mal assombrado, fruto de anos de tragédias e acontecimentos sujos; inclusive não é somente Jack e Danny que sentem isso (embora com maior intensidade), como também Wendy. A maior prova da paranormalidade do Overlook é que o cozinheiro Hallorann, quando estava voltando ao hotel para salvar Danny, teve que lutar contra os arbustos de animais, sendo que ele não estava sobre influência da “síndrome da cabana”. Obviamente Danny sentia mais a presença das entidades, justamente por ser iluminado;

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