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Caos

Relaxando em meio ao caos

“No caos, há fertilidade.” – Anais Nin

Eu sou o tipo de pessoa que se esforça para manter algum senso de controle em meio ao caos. Uma das maneiras que eu faço isso é organizando obsessivamente o meu espaço.

Por exemplo, uso organizadores em todas as minhas gavetas e na minha penteadeira. Meus cremes de rosto ficam em um lado, as maquiagens do outro. As roupas dentro do meu guarda roupa são organizadas por cor e eu raramente saio de casa sem arrumar a minha cama.

Mês passado, quase inteiro, eu fiquei de cama duas vezes. Uma com bronquite aguda devido à uma gripe mal curada que se transformou em uma infecção respiratória e outra devido à um vírus. Nos dias que fiquei trabalhando de casa por ordens médicas, tentei aproveitar para dar uma limpeza – que faço a cada seis meses – no meu guarda roupas. Minha mãe me lembrou de como eu posso ser obsessiva quando o assunto é organização e me sugeriu deixar com que as coisas acontecessem.

No começo, isso me pareceu tão impossível quando caminhar de costas. O sentimento de não ter o controle parecia completamente sobrenatural.

Mas foi nesse meio tempo que então, algo aconteceu. Um dia, olhei para o meu quarto com roupas penduradas no corrimão da escada, livros no móvel ao lado da minha cama, alguns pares de sapato fora do lugar e, de repente, me senti mais relaxada.

Meu espaço parecia mais natural, e me senti muito mais comfortável quando, conscientemente, decidi não me distrair com as imperfeições. Em vez de olhar para tudo como coisas que não pertenciam ali, olhei como coisas que pertenciam ali naquele momento.

Isso não tem a ver com se tornar uma pessoa mais bagunceira; é sobre aprender a relaxar em meio a bagunça por um tempo, e saber que eventualmente, quando for a hora certa, tudo se ajeita.

Não é assim que muitas vezes a vida funciona? Precisamos ficar confusos em nossos processos criativos antes de finalmente esculpir algo polido. Precisamos ficar confusos ao explorar problemas nos relacionamentos ou no trabalho para, eventualmente, encontrar soluções.

E precisamos sentir confortáveis nessa bagunça, ou então ficaremos tentados a controlar o caos – contê-lo, simplificá-lo ou talvez ate fugir dele.

Mas o caos é frequentemente onde fazemos nossas maiores descobertas. É onde realmente nos tornamos vivos, se estivermos dispostos a vivê-lo como se deve.

Nas últimas semanas tenho feito menos do que o normal, mas eu suspeito que em alguns níveis, estou fazendo mais. Estou aprendendo a relaxar, focar e criar sem precisar de um controle rígido sobre tudo ao meu redor.

A vida é o caos. Nosso trabalho não é criar uma ordem perfeita mas sim explorar, criar, expandir e evoluir dentro da inevitável desordem.

Carol Da Mata ou simplesmente Nina é formada em Relações Públicas pela PUC Minas. Mineiríssima de Sete Lagoas e atualmente se aventura morando nos EUA. De um humor ácido e irônico, temente a Deus, bem humorada (do jeito dela). Carol também é colunista no portal O Segredo.

1 Comment

  1. Meu processo de autoconhecimento para uma vida positiva

    julho 30, 2018 at 8:21 am

    […] me peguei várias vezes fazendo isso. Por isto é muito importante direcionamos nossas energias em possibilidades construtivas. Deixar que a amargura e o ressentimento deem espaço à gratidão, alegria e esperança. Acredito […]

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