Fios de Nylon |

Cultura

A importância de se prestigiar a cultura

Certa vez ouvi alguém dizer que Belo Horizonte é famosa por ser a capital da cultura. Ainda não entendi por que recebemos este “título” sendo que existem outras metrópoles com um volume muito maior de pontos culturais. Isto sem falar nas intervenções artísticas. Mas de uma coisa eu tenho certeza, os mineiros amam cultura e participam em peso de todos os eventos que a cidade oferece. A exemplo disto é o movimento intenso nos museus da capital. Em plena quarta-feira, véspera de copa do mundo, o CCBB BH e o Memorial Minas Gerais Vale. O segundo museu possui um acervo fixo, já o CCBB tem exposições itinerantes que costumam durar bastante tempo. O que permite todo mundo conferir sem a desculpa de “eu não pude ir e ela acabou tão rápido”.

O complexo da Praça da Liberdade, que possui no total 12 prédios de museus, antes pertenciam às secretarias de Estado. Que na minha opinião foi a melhor coisa que aconteceu foi um dos governadores transformar aquela região num pólo cultural. Sempre que ocorre eventos culturais em BH, o mineiro prestigia indo em peso. E o que me espanta é que mesmo que você vá várias vezes ao mesmo lugar, no caso do museu da Vale, sempre encontrará algo diferente pra apreciar.

Em junho, quando fui para a exposição Athos Bulcão, que confesso não ter sido a melhor que já visitei. Isto se deve ao fato de que não sou muito fã de artes que têm o movimento cubista como referência. Na verdade a mostra em si me causou muita aflição, principalmente na instalação de quadros inspirados em fetos humanos. Mas nem tudo foi de total desagrado para meus olhos. O ponto alto da exposição foi a seleção de azulejos confeccionados em cores vibrantes e em sua maioria abstratos.

História que respira cultura

Mas o dia ficou interessante foi durante a visita ao museu Memorial da Vale. Como disse, os prédios que pertenciam as secretarias Estadual, projetados e construídos em 1898. Sendo que em 2010 o complexo da sede do governo foi oficialmente transformado em um Circuito Cultural de Belo Horizonte. E foi em 1977 realizado o tombamento histórico pelo IEPHA-MG. Intitulado de Conjunto Monumental do Centro Cívico do Governo do Estado de Minas Gerais.

Talvez a fama de capital cultural tenha pego por conta de movimentos culturais, que sempre se apropriaram dos espaços públicos para se expressar. Quer exemplo maior que a nossa Feira Hippie que acontece todos os domingos na Avenida Afonso Pena? A avenida é fechada aos domingos para que expositores possam vender suas artes.

Cultura dentro e fora dos museus

Sempre que ocorre um evento cultural aqui em BH eu tento sempre prestigiar. Pois só quem trabalha nesta área sabe como é difícil trazer grandes exposições. Tanto por conta do valor financeiro quanto da concorrência com outras capitais que têm um potencial artístico e cultural muito maior que o nosso.

Belo Horizonte possui uma riqueza inestimável quando se fala de patrimônios culturais. Mas o que as pessoas ainda não sabem é que eles estão também fora dos museus. Já pensou em tomar um café ou cerveja no Edifício Maletta olhando para o Centro de Referência a Moda? Ou comer um pão de queijo sentado nos bancos da Praça Raul Soares apreciando a loucura do movimento de uma cidade grande com ares de interior? Ou pedalar pela Orla da Lagoa da Pampulha e conferir todo o complexo arquitetônico de Niemeyer? Conhecer e explorar todo o conjunto cultural de BH ou qualquer outra cidade é fácil. Você precisa apenas ter acesso à mobilidade urbana para transitar entre os serviços de transporte e ter disposição para caminhar e pedalar bastante. Pois é assim que a gente conhece o lugar que está, andando, observando e aprendendo!

* Todas as fotos desta exposição foram tiradas com meu iPhone 5s

Jornalista, mineira de Belo Horizonte, 31 anos e apaixonada por cinema, livros, música e fotografia. Não sou de muita conversa, pois prefiro me expressar através de textos. Nascida na era da internet, blogo desde 2008. Para saber mais sobre minha história clique em Autora.

2 Comments

  1. Cláudia

    julho 10, 2018 at 12:29 am

    Muito bem. Eu, como uma ótima mineira e interiorana, admiro cultura e arte. Gostei muito do texto e fotos. Parabéns!

    1. Carla Corrêa

      julho 10, 2018 at 12:39 am

      Obrigada pelo apoio. Estamos sempre investindo neste tipo de conteúdo por aqui 😉

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: