Fios de Nylon |

Estilo minimalista: eu não preciso disso

Estava esta semana dando uma limpa daquelas que dou a cada três meses no meu armário, e me deparei com uma situação engraçada. Entrei no processo de transformar o guarda roupa em um armário cápsula/minimalista, mas ai reparei que eu já fazia desde sempre. Na verdade nunca fui a louca das compras de roupas, pelo contrário. Eu sempre odiei comprar roupas/sapatos por conta do processo, tira roupa, põe roupa, tira e põe de novo. Nunca gostei disso e admiro pessoas que amam sair para as compras. Sempre fui uma pessoa preguiçosa para muitas coisas, e compra de roupas e acessórios é uma delas. E assim nunca acumulei muitas coisas.

Mesmo eu não comprando tanto e tendo um número razoável de peças, às vezes acontecia de ter aquela  peça que eu parei de usar e esqueci ali. Ocupando um espaço desnecessário no armário e poeira. Já na pegada de produzir menos lixo, decidi que daria uma limpa geral no armário, não só nas roupas. Daí descobri que haviam produtos de beleza que não uso mais e decidi termina-los e não comprar mais. Além dos que eu costumo usar, estou repensando se realmente é necessário te-los. Por exemplo, o tônico adstringente, algodão em disco, toalhas demaquilante descartáveis e cotonetes. Realmente pensando mais friamente, eu não preciso de nada disso. Itens substituíveis ou não necessários sãos os produtos que mais geram lixo. Já até fiz uma lista de tudo o que tenho e preciso finalizar e não comprar mais. E ela está crescendo a cada dia.

A intenção desta mudança é justamente mudar meus hábitos de consumo. Apesar de que eu mudei bastante ao não comprar mais tanta maquiagem e cosmético como era antes, preciso dar vazão ao que é  supérfluo e passar para frente o que não uso ou está vencido. O nosso maior pecado no consumismo é achar que precisamos daquilo tudo que a gente vê, e não é assim. Somos bombardeados todos os dias com lançamentos, e assim compramos sem antes pensar se realmente precisamos daquilo. A minha premissa é: se eu vivi sem aquilo até hoje, por que precisaria agora disso? Eu era assim, via algo que combinava com meu estilo, nem pensava duas vezes e comprava. Hoje não funciona mais assim, pois a grana é curta, espaço limitado e a consciência fala mais alto.

Virei uma minimalista chata?

Não. Já expliquei aqui uma vez que eu não me considero uma pessoa minimalista. Na verdade o que fiz foi empregar a filosofia em alguns aspectos de minha vida. Isto tem me ajudado bastante no processo de menos consumo, menos lixo e mais felicidade. Porque agora posso pensar com mais calma sobre as coisas que realmente importam e me fazem feliz. Parar de consumir desnecessariamente me abriu os olhos de como o comércio varejista é cruel. Passei a me desapegar da obrigação de presentear as pessoas em datas exclusivamente criadas para o consumo. Parei de consumir muita comida processada e passei a fazer em casa.

Parando pra pensar, uma coisa está totalmente ligada a outra. Quando comecei aplicando o minimalismo em minha vida, isto automaticamente me fez repensar meus hábitos de consumo. Já os meus hábitos de consumo ao mudarem, geraram menos produção de lixo do que antes. Hoje em dia não penso mais na quantidade e sim qualidade. Mas este tipo de consciência só foi possível a partir de uma necessidade. Não adianta você falar tudo isso para alguém que ainda não despertou sua consciência para o consumismo exacerbado, vai parecer que você só é mais uma dessas eco-chatas ou ativistas radicais. Não seja esse tipo de pessoa, por favor.

Pontos positivos sobre o conceito minimalista em minha vida

Separei alguns aspectos positivos que notei que melhoraram bastante em minha vida após aderir a filosofia minimalista. Como disse, tudo partiu de um processo, de uma necessidade. Não acordei um dia e decidi me desfazer de minhas coisas. Refleti muito sobre meu comportamento, parei de comprar por impulso e só depois me desapeguei daquilo que não fazia mais sentido em minha vida.

1. Aprendi que um objeto tem mais funções do que a sua real destinação
2. Reduzi em 80% dos cosméticos que eu comprava sem necessidade
3. Tudo o que quero ou preciso pode ser feito artesanalmente e fica tão bom quanto
4. Meus conhecimentos culinários aumentaram e hoje como melhor do que nunca
5. Passei a consumir mais cultura e lazer sem gastar com isto
6. Me tornei uma pessoa mais positiva e menos consumista

Estas são algumas das etapas que estou desenvolvendo ao longo deste processo. Tem alguns momentos em que tropeço, porém, mas isto me serve como aprendizado. Pois nem só de acertos a gente faz a coisa certa. Lembrando que, não precisa surtar e sair jogando todas as suas coisas fora, isso não faz o menor sentido. A mensagem aqui é sobre o consumo consciente, por isso, tente usufruir ao máximo de tudo o que você investiu dinheiro, pois de nada adiantará você jogar tudo fora hoje e amanhã sentir a necessidade de comprar coisas novas!

Jornalista, mineira de Belo Horizonte, 31 anos e apaixonada por cinema, livros, música e fotografia. Não sou de muita conversa, pois prefiro me expressar através de textos. Nascida na era da internet, blogo desde 2008. Para saber mais sobre minha história clique em Autora.

2 Comments

  1. Lary Zorzenone

    julho 18, 2018 at 6:38 pm

    Oi Carla
    Esse foi um dos melhores posts que li envolvendo o minimalismo. Eu não me considero uma pessoa minimalista, mas me considero bastante consciente sobre consumo. Assim como você, nunca tive muita paciência para fazer compras de roupas e acessórios, mas a minha família toda adora e sempre (eu disse SEMPRE) sou presenteada com roupas e sapatos, o que facilita a minha vida, porque me pouca o trabalho de ir comprar, mas acaba que ganho mutia coisa que não combina comigo e sei que nunca vou usar. Eu sempre fui bem consciente sobre isso e, ao menos duas vezes por ano, faço uma limpa em todos os armários e tiro peças de roupas, sapatos, itens de beleza e maquiagem, papelaria, tudo e vou vendo o que realmente preciso. Meu armário está longe de ser o chamado armário cápsula, mas posso afirmar que tudo que tem nele eu uso. Tudo que tem nele me agrada e me deixa feliz. Adorei o seu post, mesmo.

    Vidas em Preto e Branco

    1. Carla Corrêa

      julho 21, 2018 at 1:54 am

      Exatamente Lary.
      Este mês fiz uma limpa no meu e tive dificuldades em ter o que “jogar fora”, pois agora cheguei num ponto de que retenho apenas o que uso e nada mais. Reponho uma ou outra coisa que acaba e eu gosto. Mas como você disse, é complicado pois não podemos recusar presentes porque a pessoa se deu ao trabalho de pensar e comprar algo pra você, e daí seria uma desfeita recusar. Entendo muito bem o que é isto, mas hoje recebo mais é dinheiro em forma de presente, o que facilita MUITO minha vida, pois posso usa-lo pra pagar contas e não caio na tentação de gasta-lo com bobagens!

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: