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Resenha de livro: Ovelha negra e outras fábulas

Nunca compre um livro com muitas expectativas, muito menos um livro de fábulas. Este em especial, A Ovelha negra e outras fábulas, possui 40 histórias das quais apenas seis foram interessantes ao meu ver.

1. A coruja que queria salvar a humanidade
2. A girafa que compreendeu que tudo é relativo (a melhor de todas)
3. Os outros seis
4. O salvador ressurgente
5. A rã que queria ser uma rã autêntica
6. A funda de Davi

Como característica básica de contos de fábulas, todos os personagens são animais, mas que possuem características tais como a arrogância e vícios tipicamente dos seres humanos. Um recurso utilizado para se fazer críticas sociais, políticas e econômicas sem correr o risco do autor ser censurado ou sofrer punições. Já que as fábulas são conhecidas por seus finais moralizantes e altamente sarcásticos a determinados comportamentos.

A ovelha negra é realmente negra?

A decepção maior com a obra, de Augusto Monterroso traduzida por Millôr Fernandes, veio com a tão esperada fábula “A ovelha negra”, da qual eu esperava uma história surpreendente. Porém eu acabei me deparando com a mais curta e tosca história de todo o livro.

“Em um país distante existiu faz muitos anos uma Ovelha negra. Foi fuzilada. Um século depois, o rebanho arrependido lhe levantou uma estátua equestre que ficou muito bem no parque. Assim sucessivamente, cada vez que apareciam ovelhas negras eram rapidamente passadas pelas armas para que as futuras gerações de ovelhas comuns e vulgares pudessem se exercitar também na escultura.”.

Se tivessem parado a fábula da Ovelha negra no arrependimento das demais, eu até poderia traçar um paralelo inspirado no trágico fim de Joana D’Ark, da qual foi vítima da ignorância humana que culminou em sua execução de forma covarde.

Minha expectativa com “A ovelha negra e outras fábulas” 

Criei uma expectativa enorme com este livro, pois achava que leria aqui as fábulas famosas, que costumava escutar quando criança. Só que não. Como a da lebre e a tartaruga ou a formiga e a cigarra. Mas na verdade, todas as histórias lidas eram desconhecidas por mim. O que me levou constantemente a recorrer a pesquisas para poder entender o sentido de cada história. O que acabou me demandando tempo demais do que o esperado.

Em resumo, não foi uma leitura proveitosa e nem construtiva. Pois penso das fábulas o mesmo que dos ditos populares: eles só fazem sentido para quem os criou e para a época em que foram publicadas. Pois o contexto em que vivemos hoje, em nada se assemelha com a época em que foram criados. Mas há quem defenda este estilo literário para doutrinar ou ensinar. Mas para não dizer que meu investimento neste livro foi todo desperdiçado, a única coisa que me agradou foi sua confecção. Tanto a capa como as páginas possuem um toque aveludado que é muito agradável na hora da leitura. 

Indicações

Se você já leu este livro ou outros do gênero, conte-nos o que achou e nos indique mais referências. Obrigada pela leitura e até em breve!

Jornalista, mineira de Belo Horizonte, 30 anos e apaixonada por cinema, livros, música e fotografia. Não sou de muita conversa, pois prefiro me expressar através de textos. Nascida na era da internet, blogo desde 2008. Para saber mais sobre minha história clique em Autora.

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