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O poder de Tomb Raider A Origem

Antes mesmo de assistir ao filme, já senti uma energia positiva em relação ao longa. As duas séries anteriores estreladas por Angelina Jolie são legais, mas em nada se parecem com a série em games. O jogo que estourou em 1995 com gráficos ainda precários e quadrados, hoje é a prova viva de que games com mulheres protagonistas podem ser originais e inovadores sim.

TOMB RAIDER a origem mostra a evolução da personagem, nos games, Lara Croft em um avatar mais real e próxima do púbico feminino. Sim, foi esta a impressão que tive ao jogar os últimos games da série e depois ao assistir o filme. Lara é uma garota que como todas nós tem medo, se machuca, chora, tem um emprego e sonha em fazer diferença num mundo sem muitas esperanças. Isto tudo antes da reviravolta em sua vida, após isto é puro sonho e idealização. A seguir listarei 5 motivos pelos quais fãs dos games ou não devem assistir ao filme.

1. Uma Lara Croft mais possível

Ao contrário de muitas garotas, minha heroína desde muito nova foi a personagem dos games de aventura Lara Croft. Enquanto as meninas que conheço adoravam a Mulher Maravilha, eu preferia a garota dos jogos porque ela sempre me foi mais próxima, real e possível de ser igual quando crescesse. Porque TR foi um o game que melhor difundiu uma personagem feminina para PCs, melhor até que Street Fighter. Antes disso era apenas a Cami ou Chun-Li. Ser arqueóloga e carregar duas 9mm me parecia tão original que eu poderia facilmente abrir mão do poder de voar. Além de que, o “uniforme” de guerra de Lara é muito mais confortável do que a da Mulher Maravilha que usa saia, sandálias e cabelos soltos. Lara por sua vez não usa maquiagem, tem uma mochila utilitária, coturnos, shorts com blusa e os cabelos amarrados num rabo de cavalo. Muito mais original e prático, não?

2. Não é apenas um rostinho bonito

Tanto no filme como nos jogos, Lara Croft possui um poder que nenhum outro super herói tem: uma inteligência sagaz. Filha de uma família aristocrata inglesa, desde cedo Lara aprendeu que tudo neste universo tem seu valor e significado. Com isto sabe mais que ninguém a dar valor a tudo. Ela sabe lutar, é poliglota, sabe atirar com armas brancas e de fogo, sabe pilotar, é podre de rica, estudou nas melhores escolas e nas horas vagas ela…lê e faz pesquisas. Além de ser uma exímia colecionadora de artefatos antigos.

3. Sem sexismo

O filme não dá brechas para closes na bunda ou peitos de Lara. Ao contrário de uns e outros fracassos ai da DC Comics, este filme tem como foco as emoções dos personagens , sobrevivência e suas histórias de vida. Focado na aventura e ação, o filme retrata a vida de uma jovem independente que não mede esforços para enfrentar seus problemas. Sejam eles quais forem, de frente e de igual para igual contra os piores gângsters. TOMB RAIDER a origem não possui diálogos longos ou profundos, muito menos tem frases de efeito, assim como no jogo. Porque o que move a personagem, além da adrenalina, na realidade é a sede pelo conhecimento e desconhecido.

Imagem do game Tomb Raider, que inspirou o filme homônimo

4. Fidelidade aos games da série

Desde Tomb Raider Legend, a Crystal Dynamics (empresa detentora dos direitos de animação e distribuição dos Games) tem investido pesado num avatar de mulher mais real, e isto tem refletido diretamente nos filmes da série. Nunca antes vi uma modelo/atriz ser tão fiel à personagem como é com Alicia Vikander. Mesmo nos tempos da brasileira Ellen Roche a Angelina Jolie (lá em 2001/2002), desta vez os produtores Gary Barber e Graham King capricharam na escolha. Além dos traços semelhantes com a personagem principal, a trama e enredo do filme também fazem justiça aos games. Assim como nos jogos, o filme também tem seus momentos cruéis e um final nada feliz para ela. Porque quando se trata de enredos distópicos e sobrenaturais, não existem finais felizes. Se por um lado as coisas dão bastante certo nos momentos mais improváveis e críticos, em outros Lara sofre perdas significativas.

5. Exploração de vários núcleos

TOMB RAIDER a origem explorou várias possibilidades durante o filme que seus antecessores jamais pensaram em fazer. Enquanto nos filmes da série  tínhamos uma Lara Croft rica, independente e aventureira. No longa vemos uma Lara mais inteligente, crua, que investiga e vai aprendendo um talento diferente. Além da parte da ação, típica de filmes do gênero, o longa teve a oportunidade em explorar mais o sobrenatural. Outra marca registrada dos jogos, mas optou em ficar com o viés científico da história. O que não foi ruim, mas eu como fã incondicional esperava ver Lara lutar contra uma Deusa ou entidade mitológica. Já que é uma obra ficcional, por que não? No entanto, ficamos com esta sensação de que algo nos faltou para aprimorar as cenas de aventura do filme.

A única queixa que posso fazer deste filme é com relação a aventura. A cena dela correndo na floresta sem sombra de dúvida me remeteu à verdadeira essência de Tomb Raider. Com tudo ao que tem direito como mato, lama, tiroteio e suspense. Espero que no próximo filme da franquia tenha mais tomadas de ação mescladas com aventura e desvendamento de quebra-cabeças. Assim como nos jogos, que ajudará a dar aquele friozinho na barriga e tornará o filme ainda mais interessante. Espero também, que a próxima da série tenhamos uma personagem mais ativa.

TOMB RAIDER a origem explicou muito bem o início da trajetória de Lara Croft. Como foi em Tomb Raider 5 ou Chronicles. Uma heroína que não economizará nenhuma bala até que o último vilão venha a sucumbir.

Jornalista, mineira de Belo Horizonte, 31 anos e apaixonada por cinema, livros, música e fotografia. Não sou de muita conversa, pois prefiro me expressar através de textos. Nascida na era da internet, blogo desde 2008. Para saber mais sobre minha história clique em Autora.

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