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Como nasceu a alegria de Rubem Alves

A alegria em ser você mesmo

Quando era criança, eu não tinha o hábito da leitura que tenho hoje. Lia um ou outro livro, eventualmente por conta própria. Mas este livro em questão do Rubem Alves, Como nasceu a alegria, me marcou profundamente. Não sei se já contei aqui, mas a minha infância no período escolar sempre foi muito complicada. Geralmente sofremos bullying (na minha época não se chamava assim) no ensino médio. O que nos leva a fazer muitas idiotices por conta disso. O que não foi o meu caso, pois no ensino médio foi super tranquilo, a época mais feliz de minha vida e quando eu mais fiz amigos. Ao contrário do ensino fundamental, da primeira à oitava série, que foram oito anos de puro inferno astral e psicológico. De certa forma não passamos ilesos na vida, seja qual época for.

Foi neste período que este livro marcou definitivamente minha vida em como eu me via e as pessoas à minha volta. Nunca fui de ficar revoltada ou deprimida por conta das “brincadeiras” muitas vezes maldosas das garotas na escola. Mas é que haviam dias que pegavam tão pesado que dava vontade de sair socando todas elas. Quando li este livro, percebi que, ao contrário do que elas diziam, eu não tinha problema nenhum e não era tão estranha como me julgavam ser.

A alegria em ser feliz do jeito que você é

A história desta obra fala sobre uma rosa que nasce com uma pétala rasgada. E por conta deste “defeito”, as demais flores de uma roseira a desdenham e falam coisas cruéis sobre o aspecto “feio” desta rosinha. Mas um belo dia esta rosa com a pétala rasgada descobre que ela não é só tão bela como é querida por todos ao seu redor. Com isto, ela sorri e exala o perfume capaz de deixar todos ao seu redor felizes. Enquanto as outras flores da roseira só se preocupavam com a própria aparência, não possuíam perfume algum. Moral da história: não importa o que pensem ou digam sobre nós. Temos nossos defeitos, mas nossas qualidades e virtudes são maiores e mais poderosas que qualquer outra coisa.

Rubem Alves basicamente me ensinou a gostar de mim, com todos os meus defeitos e que sou completamente normal. Mesmo que aquelas garotas dissessem o contrário. Quando entendi isso, as coisas que elas faziam e diziam passaram a não me afetar mais. Na verdade eu entendi que o problema era com elas, não comigo.

O aprendizado que carrego por toda a vida

Nem preciso dizer que este é um livro importante e de leitura obrigatória para todas as crianças. Ele pode ajudar a moldar o caráter de muitas pessoinhas, tanto para quem pratica este tipo de ato perverso quanto para quem o sofre. Se tem algo que tenho certeza é de que crianças podem ser mais cruéis e infames que muitos adultos por aí. Como disse anteriormente, eu não me deixava afetar muito e nem desenvolvi nenhum trauma por conta de bullying. Porém, nem todo mundo sabe ter jogo de cintura e sobreviver sem sequelas aos períodos difíceis da vida. Por isto recomendo esta leitura de “Como nasceu a alegria” para que, assim como eu, ela possa confortar quem estiver passando por algo parecido.

Nem sempre poderemos aprender a nos comportar ou entender o sofrimento alheio através de livros. Mas garanto, existem certos comportamentos e atitudes que podem ser evitadas apenas com uma boa leitura. Os demais a vida ensina pra gente dando vários tapas na nossa cara.

O dever da Alegria na aceitação

Para os pais, “Como nasceu a alegria” é uma dessas ferramentas para usar com seus filhos na hora de educa-los. Digo isto também do ponto de vista de quem pratica o bullying. Sim, sua criança pode ser a que machuca a outra e ensina-la que as diferenças fazem parte da vida e que precisam ser respeitadas.

É sempre importante transmitirmos mensagens positivas e ensinar bons comportamentos às crianças. Não achar que é “coisa da idade” ou que passa, porque não passa, não para quem sofre com agressões. Certos tipos de atitudes podem afetar severamente a mente de crianças pro resto da vida delas. Portanto, não olhe para o lado e ignore o que há de errado. Ensine o que é certo e humano, pois se hoje seu filho é quem pratica a agressão. Amanhã poderá ser o agredido. Pense nisso!

Jornalista, mineira de Belo Horizonte, 30 anos e apaixonada por cinema, livros, música e fotografia. Não sou de muita conversa, pois prefiro me expressar através de textos. Nascida na era da internet, blogo desde 2008. Para saber mais sobre minha história clique em Autora.

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