Sobre a estrada e o coração aberto

Sobre a estrada e o coração aberto

Sobre a estrada da vida: eu tenho uma mania de pegar meu carro e sair por ai dirigindo sem rumo. Às vezes fico horas passando por estradas que eu não conheço, ouvindo musicas que gosto e quando o tempo la fora permite, sentindo o vento no meu rosto pelas janelas. Existe algo que me conforta em estar completamente sozinha no meu carro: me permitir sentir o que quer que seja.

Dia desses peguei meu carro e dirigi por mais de uma hora por ai. Um daqueles momentos onde a vida parece estar tão bagunçada que tudo que você precisa é de um pouco de silencio. Dessa vez não houve musica, não houve telefone ligado e sendo bombardeado de notificações. Teve o vento, a estrada e eu.

Dessa vez eu chorei. Eu chorei muito. Eu deixei o choro sair de mim sem preocupar com quem estivesse vendo nos carros ao lado. Sem pensar no barulho que fazia, sem preocupar em esconder, sem me limitar.  Às vezes, assim como os caminhos que eu percorro com o meu carro me levam para lugares novos, os da vida fazem o mesmo. Posso dizer que minhas ultimas e mais recentes experiências me ensinaram muito. O maior aprendizado foi que nunca não é uma palavra válida.

O segundo? Acredito que me tornei alguém mais humilde. Mais compreensiva com o sentimento alheio. A vida veio tirar a minha arrogância através de muita dor. Os caminhos que eu escolhi não foram os melhores. E pior, mesmo sabendo que aquela rua me levaria a uma placa de “sem saída” eu continuava passando sempre por ela. Às vezes eu evitava dirigir, evitava tomar aquele rumo para tentar me esquecer daquela rua, mas por uma ou outra invariável eu sempre insistia naquele caminho. Como se na minha cabeça, ou no meu coração, algo dissesse: vai. Quem sabe dessa vez existe um caminho no fim daquela rua? Quem sabe já removeram aquela placa? Mas não. Ela continuava ali, e eu continuava me decepcionando com as consequências da minha própria escolha.

A gente sempre quer acreditar que existe alguma luz no fim do túnel. Só que às vezes, a luz no fim daquele túnel esta em outro caminho. Outra estrada, outra escolha. A gente muitas vezes chega no semáforo com a luz amarela, avisando para irmos devagar e mesmo assim aceleramos e atravessamos. Tem hora que da certo, que vai. Tem hora que a gente causa um acidente.

Respeitar os sinais, obedecer o seu instinto que alerta ao perigo e fazer o possível para seguir em frente quando ver a placa de sem saída é essencial, mesmo que você tenha que virar o carro e fazer o caminho inverso ate encontrar uma outra saída. Dirigir pela estrada aberta é como deixar com que o seu coração passe por dores e amores. Às vezes te leva para lugares lindos mesmo que inesperados, às vezes te frustram com as ruas sem saída.

O importante é tentar sempre seguir. Mesmo que machuque, mesmo que seja mais fácil passar pelo caminho conhecido. Se o seu coração não arriscar, ele também não encontrara um novo destino.

ou simplesmente Nina é formada em Relações Públicas pela PUC Minas. Mineira de Sete Lagoas, mas atualmente vive nos EUA. Dona de um humor ácido e irônico também é um doce de pessoa. Temente à Deus, Nina também é apaixonada por futebol e carrega o Cruzeiro Esporte Clube no coração para aonde for. No blog ela colabora com crônicas pessoais que refletem seus valores e visão de vida.
A importância sobre deixar partir

Sobre deixar partir

“Amar também significa deixar partir”

Sobre deixar partir: esta é uma das minhas frases preferidas, e apesar de ser, sempre me vi com uma dificuldade enorme em coloca-la em pratica. A verdade é que todos nós amamos com uma intensidade diferente. Eu, por exemplo, amo com tudo de mim. Acredito que por não amar facilmente, não me entrego para toda e qualquer possibilidade de relacionamento. Quando eu finalmente sinto algo por alguém é forte, é sincero. E é ai que entra de novo essa ideia das diferentes formas de amar. Tem gente que ama com mais cuidado, tem gente que se preserva enquanto outros mergulham de cabeça. E existem algumas pessoas nem sabem amar, quanto mais deixar partir.

É tão complicado aceitar essa realidade. A nossa falta de controle com o sentimento do outro é algo que traz uma angustia horrível. O não saber o que o outro pensa, quer ou sente chega a ser tortura quando amamos tanto. Temos uma dificuldade em aceitar que o livre arbítrio existe, que as pessoas mudam, os sentimentos mudam e que com o tempo aquela pessoa pode não ser mais a pessoa certa para você.

A pessoa certa, o momento errado. Eu não gosto dessa frase. Eu acredito que aquele momento era o certo. Aquilo aconteceu porque tinha que ser. O fim pode não ter sido dos melhores, mas isso não significa que não deu certo. Deu sim. Por umas semanas ou alguns anos. Vocês cresceram juntos e como indivíduos através daquela relação ou quase relação. Isso pra mim é dar certo.

Não adianta tentar prender a você alguém que não quer estar ali. Tentar colocar num potinho, manter aquele amor o tempo inteiro com você para evitar com que ele fuja. Se o outro não estiver na mesma pagina, uma hora ou outra, ele vai sair encontrar qualquer brecha para sair.

Eu sempre tive esse defeito. Eu quero me desdobrar pra que desse certo. Quero a todo custo que a pessoa fique, mesmo eu sabendo que não é o que ela quer. Eu sempre me sinto péssima no outro dia, como se eu tivesse comido fast food durante uma semana sem parar. O estômago ruim, a cabeça doendo, uma sensação de culpa por não ter cuidado melhor de mim.

Amor é sim saber deixar partir. Não vale a pena insistir no que não existe mais. Vai ser como tentar segurar água nas mãos. Eventualmente ela escapa entre seus dedos. Se você ama alguém, deixe sim com que esse alguém siga seu caminho mesmo que você não tenha sido convidado para fazer parte da viagem. Aceite, por mais que doa, que ninguém é obrigado a amar alguém para sempre. Que ninguém pode te prometer amor amanhã, pois o amanhã é incerto demais.

A liberdade de escolha também se faz presente dentro das relações. Eu, com meus 30 anos, ainda estou aprendendo a aceitar isso. Tem sido algo duro de lidar, uma realidade muitas vezes triste, mas a cada dia que passa tenho mais certeza de que amor, amor de verdade, tem que ser livre, se não, não vale a pena.


ou simplesmente Nina é formada em Relações Públicas pela PUC Minas. Mineira de Sete Lagoas, mas atualmente vive nos EUA. Dona de um humor ácido e irônico também é um doce de pessoa. Temente à Deus, Nina também é apaixonada por futebol e carrega o Cruzeiro Esporte Clube no coração para aonde for. No blog ela colabora com crônicas pessoais que refletem seus valores e visão de vida.
Reflexo das alegrias e da tristeza

A tristeza necessária

Eu nunca entendi gente que evita a tristeza. Nunca entrou na minha cabeça como fingir felicidade é melhor do que ser fiel ao momento que está sendo vivido. Sempre me considerei uma pessoa alegre. Quem me conhece me acha alegre. Quem convive comigo me acha alegre. Quem me vê de vez em quando me acha alegre. To sempre pronta pra fazer uma piada, levar tudo na brincadeira e sempre disposta a fazer todo mundo ao meu redor rir. Eu gosto disso, me faz bem ter essa alegria em mim e me faz ainda mais bem poder passar esse sentimento para os outros.

Ao mesmo tempo eu sou humana. Eu tenho minhas dores, meus momentos onde quero ficar sozinha, dias em que não consigo sorrir mesmo que eu queira. Tenho aquelas semanas onde me recolho e quero apenas pensar, tem as semanas em que não consigo fazer ninguém rir. Antes eu achava que isso era a pior coisa do mundo. Eu mascarava a minha tristeza e ficava vivendo uma mentira lá fora, mostrando uma felicidade falsa, e quando eu ficava sozinha doía ainda mais.

Agora eu aceitei que a vida é feita de varias emoções e que por mais que não sejam agradáveis, a tristeza, a dor e a raiva, fazem parte. A tristeza inclusive, pode ser o gás que você precisava para refletir sobre a sua vida e as suas escolhas. Quando você passa a aceitar a tristeza você aprende também a analisa o que está acontecendo à sua volta. Por que eu não tenho conseguido comer? Ou porque não estou dormindo bem? Ou talvez dormindo demais? Porque não consigo ver graça nas coisas que amo?

São nesses momentos que podemos mudar tanta coisa. Você pode colocar sua dor debaixo do microscópio e procurar entender o porque ela tem perdurado. O que eu posso fazer para voltar a sentir alegria genuína?
Eu, particularmente, acho melhor deixar a minha tristeza ser sentida e trabalhar para me sentir melhor aos poucos do que me pressionar. Do que sair lá fora com um sorriso estampado mas vazio. Eu prefiro que essa alegria seja sincera, que venha de um lugar onde eu possa sentir junto com ela uma paz interior de quem realmente passou por tudo que tinha que passar mas sobreviveu.

A alegria também pode advir da tristeza. Sentir não é pecado, não é errado. Sentir é necessário para que você possa aprender, amadurecer seus pensamentos, seu modo de lidar com os problemas e com a vida. Não mergulhe na tristeza mas também não a evite. Se ela chegar, deixe com que ela seja sentida na medida certa, mas sempre tendo a certeza de que o amanha chega, e pra que ele seja melhor, não depende de ninguém além de você.


ou simplesmente Nina é formada em Relações Públicas pela PUC Minas. Mineira de Sete Lagoas, mas atualmente vive nos EUA. Dona de um humor ácido e irônico também é um doce de pessoa. Temente à Deus, Nina também é apaixonada por futebol e carrega o Cruzeiro Esporte Clube no coração para aonde for. No blog ela colabora com crônicas pessoais que refletem seus valores e visão de vida.