Sete dias com Marilyn

Sete dias com Marilyn Monroe e o papel de uma personagem

Muita gente acredita que as adaptações cinematográficas jamais serão como as obras impressas que as deram origem. Concordo, mas em parte. Eu também acreditava nisso até assistir à adaptação do best seller de Colin Clark contando justamente o que aconteceu neste breve momento de sua vida, quando teve a oportunidade de viver e conviver com a maior celebridade do cinema de sua geração: Marilyn Monroe. Em Sete dias com Marilyn é um apanhado de fatos e memórias registradas pelo próprio Colin quando ainda era um jovem aspirante a diretor de cinema na função de auxiliar de filmagens do longa “O Príncipe Encantado” quando teve seu primeiro contato com Marilyn, que nesta obra foi interpretada por ninguém menos que Michelle Williams.

Marilyn Monroe em outra perspectiva da narrativa

A atuação de Michelle é tão impressionante que merece uma menção à parte neste texto. Já vi muitos filmes retratando a vida de famosos como Lady Di, Rainha Elizabeth II, Maysa e muitos outros. Já que a maioria de outras poduções biográficas, as obras contaram com os personagens reais. No entanto nunca vi uma atriz encarnar o personagem tão bem como Michelle Williams com Marilyn. A caracterização física é tão assustadora que em certos momentos cheguei a duvidar de que era uma atriz interpretando Marilyn. Juro que eu realmente acreditei que era a própria ali diante da tela.

A temática do filme possui uma delicadeza incrível ao narrar fatos íntimos da atriz. Esta é uma obra totalmente construída a partir do ponto de vista do narrador. O filme conseguiu traduzir de um modo muito coerente a obra original que é em livro. Deixando-me apenas uma queixa com relação ao roteiro: achei muito vazia a construção do papel da personagem. Por exemplo, em momentos que se destacavam suas fragilidades de Marilyn. Acredito que faltou um pouco explorar o lado mais genial e fulgaz da atriz do que simplesmente coloca-la em situações de vulnerabilidade, pois se tem uma coisa que a verdadeira Marilyn fazia questão era de deixar suas fraquezas longe dos olhos de curiosos e do grande público. E o fazia muito bem.

Marilyn Monroe filme

O filme de Marilyn Monroe  e seus aspectos negativos

No entanto, eu como sempre, tenho que destacar sempre a parte visual da coisa. Pois é disto que o cinema também trata não? O figurino estava impecavelmente tão perfeito quanto a escolha dos atores para seus respectivos papeis. Devo pedir uma salva de palmas em especial também aos diretores Simon Curtis e Ben Smithard por suas proficiência.

Sete dias com Marilyn é aquele tipo de filme que eu assisto sem grandes expectativas. Mas que em um aspecto ou outro acabam me surpreendendo bastante de forma positiva. Recomendo o filme para todos que, assim como eu, são fãs incondicionais de Marilyn, gostam de uma história sem muitos suspenses ou grandes tramas ou querem um filme apenas para descontrair. Garanto que, mesmo você que não é um fã de Marilyn Monroe, você acabará com uma imensa vontade de assistir tudo o que ela já produziu em vida, seja em filmes, fotografias ou mesmo suas poesias!

Marilyn Monroe Pôster

Jornalista, mineira de Belo Horizonte, 30 anos e apaixonada por cinema, livros, música e fotografia. Não sou de muita conversa, pois prefiro me expressar através de textos. Nascida na era da internet, blogo desde 2008. Para saber mais sobre minha história clique em Autora.
Café Society capa

Café Society e o mais do mesmo de Woody Allen

Este mês de Junho, ate mesmo de Maio, tem sido dificil em relação à filmes. Tenho assistido a tão poucos e mesmo estes têm sido ruins. E Café Society não foi uma excessão. Estou na expectativa de assistir Mulher Maravilha, mas do jeito que a coisa anda, fico muito receosa. Principalmente com relação a filmes muito aclamados. Poderia me abrigar em minha zona de conforto e assistir a velhos clássicos e só fazer resenhas positivas aqui. Mas não é assim que as coisas nem a vida funcionam.

O filme em questão, Café Society de Woody Allen não foi muito diferente em relação às minhas experiências desastrosas. Porque neste aqui a minha crítica embasa-se mais com relação a falta de ousadia do diretor. Se apropriando da mesma estética retrô de Meia noite em Paris e Blue Jasmine, Allen não apresentou nenhuma novidade. Os fãs mais fervorosos do diretor vão descordar de mim e listar aqui infinidades de elementos que ele utilizara. Mas eu repetirei: não passam de elementos mais do mesmo. Não digo que estes elementos como, a prórpia estética temporal dos anos 50, seja algo ruim. Só que ela já foi única e cumpriu seu papel em obras anteriores e pronto. Foi uma fórmula que deu certo, mas já passou.

A superficialidade dos personagens e da trama em si também é irritante. Sem grandes emoções e muito óbvia, o vazio tomou conta de toda a história. Salve as raras cenas dos Gungsters em New York que realmente valeram aa pena. De resto é só mais um filme que fala de uma história de como as coisas são forjadas em Hollywood. Talvez os gungsters sejam um tema a se pensar que o diretor possa apostar futuramente. Mas acredito que esta tenha sido a grande sacada de Woody Allen. Como fazer um filme retratando a vida da alta sociedade hollywoodana de forma mais natural e fiel possível? Neste quesito ele foi bem verossímil e cumpriu bem seu papel. Mas falando no roteiro em si, eu baterei na mesma tecla: é um filme chato, com grandes atores, porém CHATO!

Café Society

Uma roda de empresários, atores, alpinistas sociais, socialights e muita fofoca temperada com falsidades e oportunismos. Estes são os elementos que ajudam a compor o enredo do filme. A tentativa de Allen em retratar uma indústria tão canibalista como a do entretenimento hollywoodano é bastante louvável, porém sua ousadia é um tanto quanto limitada, deixando apenas espaço para tiradas e comentários ácidos entre falas de um personagem e outro e só.

Café Society um sucesso?

Este não é nem de perto um dos melhores filmes já feitos pelo diretor. Talvez o com maior apelo publicitário e com um elenco principal bastante jovem, que é uma das poucas coisas que me chamaram atenção no filme, mas ficou apenas nisto. O simples fato de contarmos no casting com participações de: Jesse Eisenberg, Kristen Stewart (mesmo eu detestando sua atuação fraca) e Blake Lively sinaliza uma aposta na nova safra de grandes e jovens atores que Hollywood dispõe no momento. Tem-se muitos atores novos, mas poucos de grande calibre como eles.

Eu apenas recomendaria este filme para quem deseja assistir algo despretensiosamente leve e sem grandes chances de fundir a cabeça tentando desvendar possíveis tramas ao longo do filme. É tudo muito óbvio e sem graça que você pode assistir partes do filme sem medo de perder alguma informação importante e dizer que viu ao filme. Mas ao mesmo tempo é um filme com uma estética lindíssima e uma direção de fotografia boa que compensam o resto.

Café Society e suas “falhas

Provavelmente este não é o melhor filme já produzido por Woody Allen na atualidade. Acredito também que não será o único. Aguardemos as futuras produções do diretor para saber se, de fato, a carreira dele foi encerrada entre as produções Blue Jasmine e Mindnight in Paris ou se este fora apenas uma produção experimental e fraca dele. Esper sinceramente que ele deixe esta zona de conforto da qual ele está se abrigando e ouse mais, experimente mais em seus futuros filmes. Mas enquanto isto, aguardemos!

Café Society Pôster

Jornalista, mineira de Belo Horizonte, 30 anos e apaixonada por cinema, livros, música e fotografia. Não sou de muita conversa, pois prefiro me expressar através de textos. Nascida na era da internet, blogo desde 2008. Para saber mais sobre minha história clique em Autora.

Por que o Esquadrão Suicida foi quase um fracasso?

Não sou uma fã de gibis, mas sou uma telespectadora assídua de filmes e séries sobre vilões e super-heróis. Na verdade, de séries e filmes de um modo geral. A minha crítica baseia-se completamente na estrutura cinematográfica de Esquadrão Suicida (Suicide Squad) de um modo que não vou me comprometer e ousar a criticar as histórias dos personagens das HQ’s.

Então vamos lá. As prisões dos vilões são dadas em circunstâncias bem banais, vamos concordar. Floyd Lawton (Pistoleiro) é pego no beco pelo Batman porque sua filhinha não quer ver o pai matando mais ninguém (uma fraqueza de Floyd). Depois Chato Santana (El Diablo) também capturado por incendiar acidentalmente a própria casa com a mulher e filhos depois de um acesso de fúria Já a super bruxa Dra. June Moone (Magia) não está exatamente presa na mesma cadeia especial que os demais, mas acaba servindo de moeda de negociação para que a personagem de Viola Davisconsiga implementar seu plano de governo. No entanto, os demais personagens, como Coringa e Arlequina, só dá para entender que Batmanestá à captura dos dois por serem marginais de Gothan City, é isso mesmo produção? Por último e não menos importante vem o Capitão Bumerangue(O Australiano), cujo o poder é utilizar um bumerangue para atingir seus oponentes. Seu crime para estar na fossa junto com os demais é ser um exímio assaltante de bancos que já rodou toda a Austrália e América praticando este crime até que fora capturado pelo Flash em um assalto. Eu não sei vocês, mas eu fiquei com uma sensação de ser feita de idiota nesta parte do filme. Pois, como pode vilões deste calibre serem pegos e presos por cometerem crimes tão, vamos dizer assim, amadores ao nosso ver? Me parece que realmente o QI dos vilões da DC não são tão maus assim.

Bom, feitas as devidas observações, um ponto que me incomodou muito foi o fato de eu ter de ficar parando o filme para pesquisar resenhas sobre o que estava assistindo, e isto aconteceu com muita frequência em Esquadrão Suicida. Sem falar que eu achei o tema central da história – um ex combatente patriota decide salvar sua amada da morte que fora possuida por uma entidade milenar- um pouco abatido demais, ainda mais se tratando de uma história que conta com personagens vindos dos quadrinos. Acredito que a DC Comics poderia ter ousado um pouco mais neste quesito e inserido histórias que fossem além do óbvio e tornar a trama com um conteúdo um pouco mais realista, talvez. Pois, quando eu comecei a entender a história, já sabia exatamente como ela terminaria.

É inevitável escapar das comparações, mas as séries da Marvel têm um enredo muito mais envolvente e sincero com seus personagens/história/público do que os da DC. Jessica Jones por exemplo, que série foi aquela, a relação dela com o Luke e até mesmo a abordagem de seu vício alcoólico. O que sobrou nela de autenticidade e naturalidade faltou em Esquadrão Suicida. Nem vou citar os X-Men aqui porque seria muita sacanagem de minha parte, mas fica a dica ai. Não gosto de dizer isto, mas as melhores partes do filme foram as cenas protagonizadas por Arlequina e Coringa. Podem me xingar e falar o que quiserem, mas se a DC tivesse talvez investido num conflito do Esquadrão contra a Liga da Justiça por exemplo, sei lá, talvez as coisas poderiam ser mais interessantes. É apenas um palpite meu, porque essa história de mocinho vencendo o vilão pra mim já era.

Esquadrão Suicida tinha tudo para ser um filme em que transforma seus vilões em anti-heróis do que vilões que decidem fazer o bem e no fim se dão mal pelo simples fato de”o seu passado te condena” sabe? Juro que até hoje não entendi aquele final do filme. Achei extremamente clichê. Claro, com um enredo desses, não dá pra esperar algo muito surpreendente no final, certo? Só espero do fundo do meu coração que, caso a DC Comics decida fazer um Suicide Squad 2, eles pensem melhor nas estruturas narrativas do filme, a ligação entre cada personagem, explique certas coisas e não contam o mesmo erro de supôr que quem vê o filme é apenas quem já leu os gibis.

Mas nem tudo são críticas negativas sobre a obra e algo de bom eu tenho que tirar deste filme além das atuações do casal de palhaços malucos e destacar a trilha sonora. Pois saibam vocês ou não é um elemento muito importante num filme. As músicas seguraram bem aquelas cenas xoxas entre a preparação do Squad até o inicio da missão principal e nos inevitáveis flash-backs da vida de Floyd. Os figurinistas e diretores de fotografiatambém fizeram um trabalho impecável, vide os screans que salvei da internet das cenas do filme. As caracterizações ficaram impressionantes, tanto que eu nem consegui reconhecer Cara Delevingne como Magia e Ben Affleck como Batman (só depois de ler a ficha do filme).

Por isto acredito que o filme não chegou a ser um fracasso total, justamente por conta dos elementos citados acima. Que sirva de experiência para os diretores e produtores do filme, viu Mr. David Ayer, e encarem os erros do primeiro filme da franquia (se ela se tornar uma, é claro) para os futuros!

Jornalista, mineira de Belo Horizonte, 30 anos e apaixonada por cinema, livros, música e fotografia. Não sou de muita conversa, pois prefiro me expressar através de textos. Nascida na era da internet, blogo desde 2008. Para saber mais sobre minha história clique em Autora.