ser feliz

Ser feliz é o que realmente importa nesta vida

Um dia desses andei me questionando sobre por que eu costumo olhar tanto para o céu à noite. Mesmo sabendo que daqui da cidade não dá para ver tanto quanto eu costumo quando estou no campo. Sim, olhar as estrelas me traz uma paz tão grande e ao mesmo tempo uma angústia. Fico pensando o quão pequenos somos em meio a imensidão deste universo. Mesmo sabendo disso fico indignada como as pessoas ainda têm a (in)capacidade de fazer com que sua estadia neste planeta seja mais relevante. Ser feliz, por exemplo.

Assim como nós, estrelas nascem e morrem o tempo todo. E neste turbilhão de acontecimentos, com certeza cada uma em seu devido espaço conseguiu deixar algum legado para o cosmos. Seja em informação sobre a origem de tudo ou pelo simples fato de porque elas estão ali. As pessoas deveriam seguir a mesma lógica, mas não. Vejo pessoas se dedicando ao ódio contra seu semelhante, perdendo tempo com vinganças ou retaliações, fofocas e joguinhos que não levam a lugar algum. Ao invés de se dedicarem realmente ao que importa: ser um ser humano melhor e evoluído a cada dia.

Não que eu seja um exemplo a ser seguido. No entanto, a medida que crio consciência de quem eu sou e do meu potencial nesta vida, tento fazer o melhor de mim para deixar feitos positivos quando eu me for. Tenho percebido isto com mais nitidez quando me peguei chorando de alegria. O simples fato de que alguém que eu gosto muito ter conquistado o sonho da vida dela. Ser capaz de ficar feliz com a felicidade alheia hoje em dia tem sido uma tarefa quase impossível, sabe. A partir deste episódio que eu venho percebendo que, as coisas que realmente importam não são aquelas que desejamos para nós, mas sim para quem amamos e estimamos muito.

Com isto eu percebi que minha vida tem feito mais sentido. Sorrir e ser feliz trazem uma leveza inimaginável pra nossa vida. Se todo mundo experimentasse este sentimento, com certeza elas não perderiam tempo com mesquinharias e sentimentos de ódio. A vida é curta. Mas você já deve ter ouvido isso, só que ainda não entendeu.

Não importa quantos estudos sejam feitos a respeito dos benefícios da felicidade em nossas vidas. As pessoas sempre terão uma desculpa para cultivarem o ódio e se enganarem com falsos pensamentos e atitudes positivas. Não seja uma destas pessoas. Faça diferente e o melhor para você. Deixe para trás tudo de ruim que já lhe fizeram. Remoer e guardar o rancor apenas te afasta da possibilidade em conseguir ser feliz. Ser superior é saber perdoar e aceitar as indiferenças. Ser feliz é uma questão de escolha. Lembre-se disto!


Jornalista, mineira de Belo Horizonte, 30 anos e apaixonada por cinema, livros, música e fotografia. Não sou de muita conversa, pois prefiro me expressar através de textos. Nascida na era da internet, blogo desde 2008. Para saber mais sobre minha história clique em Autora.
Só Garotos de Patti Smith

Só Garotos de Patti Smith – Retratos e relatos

Só Garotos da Patti Smith é um daqueles livros que a gente precisa ter. O primeiro romance escrito pela autora é um livro autobiográfico. Porém ele possui uma particularidade em sua forma narrativa. Mesmo sendo um livro autobiográfico, a forma com que Patti Smith relata os acontecimentos de sua vida de forma simples e inocente. A cronologia linear da narrativa foca mais os acontecimentos do ponto de vista exclusivo da autora. O que obviamente transcreve toda a história em primeira pessoa.

Patti se dedica mais aos acontecimentos em sua vida e de seu amigo e amante, o fotógrafo Robert Mapplethorpe. Esta obra é um apanhado completo sobre a vida e obra, não apenas dela, mas de muitos outros contemporâneos nas décadas de 60 e 70. Tais como Janis Jopplin, Andy Warhol, Jimmy Hendrix, Bob Dylan e muitos outros. Foi um período de muita agitação cultura, na verdade surgia nos EUA nesta é poca um movimento de contracultura ao do pós guerra, da geração de baby boomers. Algo instigante para quem ama arte em sua forma global.

Nesta obra, Patti Smith dedica grande parte destas memórias à Robert, a quem prometeu pouco tempo antes de morrer de que escreveria este livro. Na ocasião, Robert sempre se preocupou e incentivou Patti à se dedicar à arte. Seja da escrita, canto, desenho ou mesmo cênica. Ao decorrer da história, conhecemos aos poucos uma Patti Smith como alguém que tenta o tempo todo se encaixar em algum espaço ou grupo. Em várias passagens isto fica bem claro, quando ela mesma se julga esteticamente inapropriada ou quando relutava em se enquadrar à grupos mais elitizados do mundo da arte, do qual Robert transitava tranquilamente.

“Não me escapou a ironia de que eu, que nunca desejara ser garota nem crescer, precisasse encarar essa prova. Fui humilhada pela natureza.” (Patti Smith)

Muitas vezes fechei o livro e ficava com um sentimento de indignação pela história de vida dela. Como Patti pode aturar tanta coisa calada? Como o fato dela saber, aceitar e incentivar veladamente a decisão de Robert virar um michê? Mas ao mesmo tempo eu me emocionava com esta e outras atitudes dela. Justamente pelo fato de ter passado por tudo o que passou, fome e perrengues, ela sempre tinha uma expectativa otimista em relação à vida. Patti estava sempre à procura de solução para seus problemas e o mais importante. Ela fazia o que fazia e passava por tudo aquilo porque ela amava verdadeiramente Robert.

Seu amor por Robert Mapplethorpe transcendia qualquer lógica que temos sobre a vida. Só Garotos é muito mais do que relatos autobiográficos. Este livro é uma obra que te deixa arrasada, mas depois ensina valiosas lições sobre a vida e as pessoas. Patti Smith sem sombra de dúvida é uma grande mulher, artista e ser humano. Não posso esquecer de mencionar a importância do Chelsea Hotel na vida de Patti. O local foi o gatilho para aflorar a aura artística da cantora. Foi neste período de sua residência no Chelsea que ela teve contato com as maiores mentes criativas da história arte naquela época.

Recomendo este livro para quem deseja uma leitura sincera, que esteja disposto a expandir sua visão de mundo sobre as relações humanas ou simplesmente se você gosta de arte ou da própria Patti Smith. Este é o tipo de história que a gente se envolve emocionalmente e deseja que o livro nunca acabe. Mas se servir de consolo, tenha-o sempre à postos. Pois ele também é muito útil para lermos em momentos de nossas vidas. Principalmente quando acharmos que as coisas parecem que nunca darão certo.

“Oh, tire uma foto deles”, disse a mulher para o marido distraído, “acho que são artistas.” “Ora, vamos logo”, ele deu de ombros. “São só garotos.” (Patti Smith)

Jornalista, mineira de Belo Horizonte, 30 anos e apaixonada por cinema, livros, música e fotografia. Não sou de muita conversa, pois prefiro me expressar através de textos. Nascida na era da internet, blogo desde 2008. Para saber mais sobre minha história clique em Autora.
Sobre a estrada e o coração aberto

Sobre a estrada e o coração aberto

Sobre a estrada da vida: eu tenho uma mania de pegar meu carro e sair por ai dirigindo sem rumo. Às vezes fico horas passando por estradas que eu não conheço, ouvindo musicas que gosto e quando o tempo la fora permite, sentindo o vento no meu rosto pelas janelas. Existe algo que me conforta em estar completamente sozinha no meu carro: me permitir sentir o que quer que seja.

Dia desses peguei meu carro e dirigi por mais de uma hora por ai. Um daqueles momentos onde a vida parece estar tão bagunçada que tudo que você precisa é de um pouco de silencio. Dessa vez não houve musica, não houve telefone ligado e sendo bombardeado de notificações. Teve o vento, a estrada e eu.

Dessa vez eu chorei. Eu chorei muito. Eu deixei o choro sair de mim sem preocupar com quem estivesse vendo nos carros ao lado. Sem pensar no barulho que fazia, sem preocupar em esconder, sem me limitar.  Às vezes, assim como os caminhos que eu percorro com o meu carro me levam para lugares novos, os da vida fazem o mesmo. Posso dizer que minhas ultimas e mais recentes experiências me ensinaram muito. O maior aprendizado foi que nunca não é uma palavra válida.

O segundo? Acredito que me tornei alguém mais humilde. Mais compreensiva com o sentimento alheio. A vida veio tirar a minha arrogância através de muita dor. Os caminhos que eu escolhi não foram os melhores. E pior, mesmo sabendo que aquela rua me levaria a uma placa de “sem saída” eu continuava passando sempre por ela. Às vezes eu evitava dirigir, evitava tomar aquele rumo para tentar me esquecer daquela rua, mas por uma ou outra invariável eu sempre insistia naquele caminho. Como se na minha cabeça, ou no meu coração, algo dissesse: vai. Quem sabe dessa vez existe um caminho no fim daquela rua? Quem sabe já removeram aquela placa? Mas não. Ela continuava ali, e eu continuava me decepcionando com as consequências da minha própria escolha.

A gente sempre quer acreditar que existe alguma luz no fim do túnel. Só que às vezes, a luz no fim daquele túnel esta em outro caminho. Outra estrada, outra escolha. A gente muitas vezes chega no semáforo com a luz amarela, avisando para irmos devagar e mesmo assim aceleramos e atravessamos. Tem hora que da certo, que vai. Tem hora que a gente causa um acidente.

Respeitar os sinais, obedecer o seu instinto que alerta ao perigo e fazer o possível para seguir em frente quando ver a placa de sem saída é essencial, mesmo que você tenha que virar o carro e fazer o caminho inverso ate encontrar uma outra saída. Dirigir pela estrada aberta é como deixar com que o seu coração passe por dores e amores. Às vezes te leva para lugares lindos mesmo que inesperados, às vezes te frustram com as ruas sem saída.

O importante é tentar sempre seguir. Mesmo que machuque, mesmo que seja mais fácil passar pelo caminho conhecido. Se o seu coração não arriscar, ele também não encontrara um novo destino.

ou simplesmente Nina é formada em Relações Públicas pela PUC Minas. Mineira de Sete Lagoas, mas atualmente vive nos EUA. Dona de um humor ácido e irônico também é um doce de pessoa. Temente à Deus, Nina também é apaixonada por futebol e carrega o Cruzeiro Esporte Clube no coração para aonde for. No blog ela colabora com crônicas pessoais que refletem seus valores e visão de vida.