O lirismo escancarado de Caio Fernando Abreu em ‘Morangos Mofados’

O lirismo escancarado de Caio Fernando Abreu em ‘Morangos Mofados’

De todas as leituras de 2018, esta sem dúvidas foi a mais desafiadora. Apesar de ser um livro curto, 223 páginas, 20 contos e 1 carta, Morangos Mofados possui uma carga mais densa. Conserva uma narrativa própria e um sentimento desesperador de que nada está certo.

Morangos Mofados foi a obra prima de Caio Fernando Abreu e um livro com as melhores opiniões da crítica especializada. Contudo, existem algumas advertências que é necessário fazer antes de um leitor iniciante em Fernando Abreu conhecer sobre a obra.

Sobre a escrita de Morangos Mofados

Em alguns momentos durante a leitura, fica um pouco confusa a definição de espaço onde as histórias se passam. Como, por exemplo, no conto “Os Companheiros” esta ausência dificulta meu entendimento. Morangos Mofados não é uma leitura fácil, em muitas passagens precisei recomeçar o conto para entender as metáforas feitas pelo autor. No entanto isto torna ainda mais instigante. Além de me aguçar a curiosidade em saber que desfecho terá cada conto.

Como foi dito na primeira parte do livro:  esta é uma obra completamente melancólica e desesperadora.

Mesmo escrito em 1982 e reeditado ao longo dos anos de sua vida, os contos parecem tão atuais que me assustam. Seria Caio Fernando Abreu atemporal ou a nossa sociedade que é estúpida mesmo? É difícil precisar esta afirmativa. Pois concluí que os contos continuam sendo atuais e por isso a semelhança com a nossa realidade.

A geração dos garotos perdidos

Em uma breve referência à letra dos Beatles, Caio Fernando Abreu inicia a jornada com agradecimentos aos seus mentores que o inspirou na condução do tema. Strawberry Fields Forever aqui é mais que uma letra, é o gatilho central desta obra que é dividido em três partes:

  1. O Mofo;
  2. Os Morangos;
  3. Morangos Mofados.

Os contos de Morangos Mofados são tão intensos que não sei se choro ou simplesmente fecho o livro e paro a leitura. Talvez seja essa intensidade que esteja me fazendo não gostar tanto desta leitura quanto gostaria. Não que tenha desgostado de tudo no livro, mas a verdade é que os arrebatamentos de suas histórias ficam incompreendidos.

Raio X dos Morangos Mofados

Depois de algum tempo lendo as crônicas descobri que esses espaços descontextualizados narrados em primeira pessoa é que me incomodam. Histórias de personagens tristes, perdidos e subjugados narradas em um tom lírico de difícil entendimento. No entanto, quando a história parte de um narrador observador, as crônicas ficam mais interessantes.

A retórica descritiva de Caio Fernando Abreu nesta obra se torna totalmente comparável a escrita de Euclides da Cunha. Mesmo que gozando de situações e estilos literários opostos, estes dois escritores sabem construir seus personagens. De forma que exalta suas características comportamentais de forma romântica. Porém Fernando Abreu adiciona um tom mais agridoce em seus contos. Com humor ácido e a sensualidade doce das relações homossexuais contrabalançam os Morangos e o Mofo.

… encerrando

Recomendo esta obra para os amantes da literatura brasileira clássica e contemporânea. Gostaria ainda de saber a experiência de quem já leu este livro. Deixe nos comentários o que você achou de Morangos Mofados e por que você recomenda esta obra!

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